Afinal, uma aplicação também educa!
No exterior da creche, ouvem-se crianças a brincar. A educadora e coordenadora pedagógica, Mónica Cruz, pega no telemóvel e alerta um pai para a subida de temperatura da sua filha. No entanto, contactar os encarregados de educação, nesta creche de Tadim, já não é a mesma coisa. Uma aplicação digital, designada PIU Infância (Processo Individual do Utente), está a tornar mais rápida a comunicação entre as famílias e a instituição
Entramos num ambiente de nostalgia, mas com pequenos apontamentos de modernidade. Na receção, está afixado um cartaz com um QR Code da PIU Infância. É um código de barras que pode ser lido pelas câmaras de telemóveis com acesso à internet. A tecnologia está cada vez mais presente no dia a dia e já chegou às creches. “Estamos a utilizar a plataforma para registar entradas e saídas das crianças. Nos registos, os pais podem dar-nos feedback de casa. Também assinalamos a alimentação, o estado de espírito e partilhamos, através da galeria da aplicação, as atividades em que a criança participa”, explica Mónica Cruz. A F3M é uma empresa de sistemas informáticos em Braga e, nos últimos dois anos, começou a desenvolver a PIU Infância. Para Filipe Pinto, responsável pelo projeto, “foi uma resposta à necessidade do mercado e a pandemia trouxe a oportunidade, numa altura em que é necessária comunicação digital e evitar o contacto físico.” De acordo com Mónica Cruz, a F3M tinha uma parceria com a creche através de um antigo sistema da secretaria. O principal benefício que a comunidade educativa destaca, assim como o criador da PIU Infância, é o aumento de tempo para as educadoras cuidarem das crianças, pois, segundo Filipe Pinto, “a ideia do software é reduzir burocracia, tempo e erros”. Os encarregados de educação demonstram satisfação com a aplicação e “a maioria considerava uma necessidade já há algum tempo”, partilha a educadora.
Até ao momento, apenas os avós apresentam mais dificuldade em adaptar-se à plataforma, pois “não estão tão ligados às tecnologias”, refere Mónica Cruz. Já as crianças não têm consciência de que são monitorizadas. “Os meus meninos são muito pequeninos e não têm noção, porque a única coisa que fazemos é tirar fotografias e isso já acontecia”. Os corredores coloridos exibem objetos que nos remetem para a infância. Desde lancheiras até sapatos, a passar por trabalhos manuais, a decoração é feita a pensar nos mais novos. A educadora é responsável pela Sala dos Afetos com tapetes coloridos e brinquedos, onde as crianças interagem umas com as outras. Apesar de parecer inesperado, a aplicação tem ajudado no estreitamento das relações entre os encarregados de educação e as crianças. “Normalmente, quando nós perguntamos a uma criança ‘O que fizeste hoje na escola?’, eles dizem sempre ‘Não fizemos nada’. Esta aplicação permite aos pais terem uma melhor conversa com os filhos, porque até podem falar sobre um trabalho que fizeram”, defende a educadora.
A instituição enche-se de cadeiras e mesas de pequenas proporções que diariamente são usadas por mais de duzentas crianças, que se dividem entre creche, jardim de infância e centro de atividades de tempos livres. A diretora técnica das respostas da infância é licenciada em Psicologia e, em cada corredor que passa, encontra crianças a quem dá afeto e questiona se estão bem. Susana da Cruz Peixoto elogia, muitas vezes, o empenho de todos os funcionários. O movimento e alegria do interior da creche prolongam-se até ao recreio. No exterior, estão duas turmas de crianças a brincar no parque infantil. Há uma tentativa de manter a rotina, mas existe um novo elemento nas brincadeiras, uma corda que separa as duas turmas devido à situação pandémica.
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